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X Congresso da Indústria de Moldes: Participação massiva do sector refletiu sobre o presente de olhos postos no futuro

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Foi um sector motivado e determinado em vencer os seus principais desafios, o que se reuniu, em peso, para 'debater o presente e preparar o futuro'. Organizado pela CEFAMOL, o X Congresso da Indústria de Moldes, que decorreu dias 22 e 23 de novembro, na Ortigosa, Leiria, juntou mais de três centenas e meia de congressistas, naquela que foi uma das representativas participações na história dos congressos, que se realizam desde 1983.


Integrando o programa comemorativo do 50º aniversário da Associação, que este ano se assinala, e uma década após a realização da sua última edição, a indústria de moldes portuguesa demonstrou, durante os dois dias de evento, que continua unida na busca de soluções para os seus principais desafios.


Essa união, o principal fator distintivo dos moldes portugueses junto dos seus concorrentes internacionais, constituiu, até, uma das conclusões retiradas desta reflexão magna. "A capacidade de colaboração, cooperação e criação de massa crítica serão os elementos estruturantes, quer para nos diferenciarmos, quer para nos situarmos um passo à frente da nossa concorrência internacional", afirmou João Faustino, presidente da CEFAMOL, na cerimónia de encerramento do evento.


E, num Congresso que teve como primeiro painel 'Organização e Tecnologia', os vários palestrantes defenderam ser "imperativo continuar a apostar na integração de processos, nas novas tecnologias, no reforço do saber e, ao mesmo tempo, que se consolide a imagem internacional, o posicionamento da excelência e notoriedade distintiva do sector", como sintetizou o presidente da CEFAMOL.



João Faustino concluiu ainda que "temos de encontrar novas soluções para alguns dos problemas, dos antigos à nova série de desafios a que vamos estar sujeitos: o rápido desenvolvimento tecnológico e a assimilação de novos processos têm sido constantes e terão um peso enorme nos investimentos das nossas empresas".


Questões como automação, standardização, digitalização, design for manufacturing ou produção 'zero defeitos', discutidas no decorrer desse primeiro painel "são e serão conceitos cada vez mais presentes e para os quais devemos estar devidamente preparados para responder".


Apostar na Qualificação das Pessoas
E a resposta está, precisamente, no tema que compôs o painel seguinte, 'Gestão de Pessoas'. Para além da aposta na inovação e no conhecimento, é fundamental que as empresas olhem para os seus recursos humanos e apostem na qualificação e formação sistemática das suas pessoas. Ou, como salientou Mira Amaral, representante da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), "são as pessoas que fazem e distinguem as empresas". Já João Faustino lembrou que "será fundamental continuar a atuar em dois sentidos: reter o talento existente nas empresas e atrair novas competências".


Também José Camacho, professor do IADE, lembrou, na síntese das conclusões do Congresso, referindo-se a esse tema - que acabou por ser transversal aos três painéis em reflexão - que "se não tivermos pessoas para trabalhar na indústria, não é possível continuar". Na sua intervenção, sublinhou, contudo, que um dos principais desafios que a indústria tem pela frente é lidar com a "incerteza" que caracteriza a Economia mundial, defendendo que a indústria de moldes conseguirá vencer, mantendo três dimensões que considerou fundamentais: a resiliência, a flexibilidade e a manutenção da vantagem competitiva, através da aposta na inovação e na melhoria contínua.


O último painel, subordinado ao tema 'Cooperação e Internacionalização', veio chamar a atenção para o muito que a indústria de moldes portuguesa conquistou na última década - ascendendo a oitavo maior produtor mundial e terceiro a nível europeu - mas também advertiu para a alteração da situação que deve alertar as empresas e mantê-las focadas em estratégias que assegurem a sua competitividade.


"A situação tem vindo a alterar-se em diferentes vertentes: seja pela instabilidade dos mercados, pelas políticas comerciais de diferentes lobbies económicos, seja pela indefinição dos novos conceitos da mobilidade, pelas políticas ambientais, pelas novas tecnologias e materiais ou pelas exigências cada vez mais fortes dos nossos clientes", sintetizou João Faustino, concretizando que "esta acalmia no lançamento de novos projetos pela indústria automóvel", sentida no último ano e meio, conjugada com "algumas indefinições existentes no aspeto político e económico mundial", são fatores que vão "condicionar a atividade das empresas globais como aquelas com as quais operamos".


O Presidente da CEFAMOL deixou, no entanto, uma mensagem de otimismo, afirmando que "acreditamos que o crescimento do nosso sector se poderá evidenciar nos próximos anos" e lembrando que "já por diversas vezes, e ao longo dos anos, demonstrámos a nossa capacidade de unir esforços para ultrapassar constrangimentos e superar com sucesso as adversidades". Contudo, fez questão de realçar, este crescimento "provavelmente, não será de forma tão acentuada como até aqui, uma vez que, neste momento, estamos ainda num processo de assimilação das tecnologias e reorganização de processos para consolidação dos investimentos realizados".


Sector exemplar
O Congresso contou, na sessão de encerramento, com a presença da Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa. A governante desafiou as empresas “a trabalhar em conjunto”, de forma a conseguirem enfrentar "os importantes desafios globais”. Realçou ainda a importância do cluster Engineering & Tooling que, disse, tem tido um papel que é "muito importante a nível da internacionalização porque é através dele que os centros de decisão, nomeadamente os alemães, ou em Bruxelas e noutros países, conhecem o extraordinário trabalho que as empresas deste sector fazem".


No final do seu discurso, Ana Abrunhosa deixou um desafio à região: a concretização do projeto do parque de ciência e tecnologia da indústria, que, disse, "gostaríamos muito de acarinhar".


Presente na sessão de abertura, o Secretário de Estado Adjunto e da Economia, João Neves, considerou que a CEFAMOL é "um bom exemplo" do que deve ser uma estrutura associativa: tem tido "capacidade de mobilização" de todos para "construir caminhos" que levaram a indústria de moldes a "transformar-se num dos maiores clusters" a nível global. Realçou ainda que este sector tem tido a "capacidade de se reinventar" e que "representa a afirmação do país e da indústria portuguesa" no mundo. O percurso traçado pela indústria de moldes, salientou ainda, "deve orgulhar o sector mas também a todos nós, enquanto país".


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