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Webinar da ISTMA promove reflexão sobre indústria de moldes alemã

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Uma maior cooperação e colaboração entre os fabricantes de moldes alemães foi defendida, no dia 12 de novembro, no decorrer do webinar promovido pela ISTMA (www.istma.org) e organizado conjuntamente pelas duas associações do sector na Alemanha - VDMA e VDWF. A sessão, integrada no programa da reunião da ISTMA Europe, contou com a assistência de mais de seis dezenas de profissionais do sector, oriundos de várias zonas do globo (Portugal, Itália, Inglaterra, República Checa, Turquia, Suíço Estónia, Finlândia, França, mas também Japão e África do Sul), pretendeu refletir a situação atual da indústria de moldes na Alemanha.


‘Preocupação’, foi a tónica dominante das intervenções dos oradores que, para além de uma maior cooperação entre todos, defenderam ainda a necessidade da criação de legislação mais protetora, sobretudo em relação às condições de pagamento das grandes empresas (sobretudo do ramo automóvel, do qual todos admitiram ter grande dependência) que, dizem os fabricantes alemães, criam enormes desigualdades e estão até a colocar em causa a continuidade dos produtores de menor dimensão.


Moderado por Richard Pergler, o webinar contou com três representantes da VDMA: Marco Schülken (Schülken Form), Wolfgang Boos (WBA Werkzeugbau Academie) e Stefan Zecha (Zecha Artmetall Werkzeugfabrikation); e três outros da VDWF: Axel Wittig (WEBO), Anna Tschacha (Deckerform) e Jens Buchert (Walter Formen und Kokillenbau).


Manifestando algum “pessimismo em relação ao futuro”, o primeiro orador, Marco Schülken, começou por enquadrar a atual situação da indústria de moldes, lembrando que as dificuldades já se vinham sentindo desde a segunda metade de 2019, sobretudo devido ao impasse da indústria automóvel na definição do modelo do ‘carro do futuro’. A pandemia de Covid-19 agudizou mais a situação de tal forma que, sublinhou, houve já empresas que “reduziram os quadros de pessoal” e que “vêem o futuro com pessimismo”.


Defendeu a necessidade de trabalhar em conjunto e criar um conjunto de regras que permitam que todos os fabricantes operem de “forma mais justa, gerando mais sucesso, assegurando mais inovação, bem como proteção e segurança”. No seu entender, esta ação resume-se em “retirar a desigualdade de condições para aumentar a confiança”. E com isto, “todos os parceiros ganham”, salientou.


Wolfgang Boos, destacou a importância da digitalização como fator de competitividade para as empresas do sector, não apenas as alemãs, como todas as europeias. No seu entender, os fabricantes “têm de alterar o seu portefólio de condições que oferecem, tendo como meta a sustentabilidade e, logo, a competitividade e o futuro”.


Já Stefan Zecha, por seu turno, deu conta, na sua intervenção, do decréscimo da atividade metalomecânica que, com a pandemia, recuou praticamente aos níveis de 2016. Isto, sustentou, leva as empresas a olhar “de forma muito cética para a situação dos negócios”.


Foco na solução
A mesma tónica de preocupação foi deixada pelos representantes da VDWF. Axel Wittig destacou a necessidade de as empresas apostarem numa lógica de garantir a ‘solução completa’ ao cliente, apostando na investigação e no desenvolvimento tecnológico. “É preciso sermos especializados e dar aos clientes mais do que apenas o fabrico do molde”, salientou.


A oradora que se seguiu, Anna Tschacha, concordou e defendeu ser necessário apostar em medidas que permitam, por exemplo, que os pequenos fabricantes consigam diminuir o ‘gap’ em relação aos seus clientes. Mas Anna considerou que apenas isto não é suficiente, apelando a uma maior cooperação entre os fabricantes, de forma a criar uma rede de colaboração capaz de gerar valor.


As suas palavras levaram o moderador, Richard Pergler, a sublinhar que esta sinergia entre concorrentes é algo “muito estranho e raro” na Alemanha, mas que acontece com sucesso noutros países, exemplificando com o caso de Portugal.


O último orador, Jens Buchert, manifestou grande apreensão em relação à situação por que passa o sector, contando estar numa posição em que procura “sobreviver” e, ao mesmo tempo, manter algum otimismo em relação ao futuro.

No final, os oradores foram unânimes na conclusão de que a cooperação é o caminho, mas que tem de ser acompanhada por medidas de proteção da atividade, como por exemplo, regulamentação europeia para as condições de pagamento dos moldes.


Markus Heseding, da VDMA e membro do Board da ISTMA, manifestou não estar muito convencido de que essa questão seja solucionada de forma política, exortando a que os produtores se juntem e defendam, de forma clara, as suas convicções. “Temos de ser nós, fabricantes, a produzir essa mudança”, concluiu.

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