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Futuro passa por interligar a pessoa à máquina e criar fábricas inteligentes

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‘i4.0 e a indústria de moldes’ foi o tema do último de um conjunto de três webinares que, organizado pela CEFAMOL, e integrado no Fórum Tech-I9, decorreu no dia 26 novembro, com uma assistência ‘virtual’ composta por cerca de 90 profissionais do sector. Foi de olhos postos no futuro que decorreu esta sessão. Não no futuro longínquo, mas naquele que está já à porta de cada empresa.


Falar de Indústria 4.0 é “falar da era da indústria conectada: a ligação entre pessoas, máquinas e organizações”. O mote foi lançado, desta forma, por Tiago Sacchetti, da Bosch Portugal, a quem coube fazer o enquadramento do tema. No seu entender - e lembrando que a indústria de moldes é das mais competitivas e procura estar, desde há muito, na vanguarda da tecnologia - há três atitudes que podem determinar o sucesso de uma empresa no que à I4.0 diz respeito: as que avançam ponto a ponto, em função das exigências do mercado; as que vão somando tecnologias às que detêm; e aquelas que olham e adotam tecnologias com o intuito de transformar e incrementar a atividade. E são as últimas, sublinhou, que se encontram melhor posicionadas para agarrar o futuro.


Mas para aqui chegar, salientou, é preciso estratégia. É necessário que a organização defina o que quer e onde quer chegar. E a meta, considerou, é ter, num reduzido espaço de tempo, um cenário onde “o mundo físico da produção e o mundo do IT caminhem juntos, no sentido da concretização da fábrica inteligente”.


E se este desígnio é válido para qualquer sector, é-o sobretudo, na sua opinião, para os moldes. Quando comparada com outras, a indústria de moldes almeja também incrementar qualidade, reduzir custos e ganhar competitividade. “O I4.0 vai ajudar-nos a lá chegar”, defendeu, salientando ainda a importância das pessoas neste processo. São, no seu entendimento, “um fator-chave” para tornar possível este caminho. Sublinhou ainda ser necessário garantir que a organização é robusta o suficiente para suportar a integração da tecnologia.


Comunicação
Seguiu-se o debate, tendo como intervenientes o moderador, Pedro Pereira (SET), Jorge Cardoso (SF Moldes) e José Carlos Gomes (GLN).


Enquanto o responsável da GLN, José Carlos Gomes, apresentou a sua visão da I4.0 como uma indústria totalmente conectada, mecanizada e automática, na qual CAM e CAD se interligam e o projeto pode ser feito sem intervenção humana, Jorge Cardoso olha para uma indústria onde a comunicação deve centrar-se nos sistemas. “Quando esta comunicação começa a acontecer, é dada resposta aos dados que recolhemos e o que fazemos com eles”, defendeu, adiantando que a I4.0 assume-se, dessa forma, como “uma combinação de várias filosofias, como a conectividade, automação e robotização”. E no seu entender, desta forma o fabrico ganha, desde logo produtividade e mitigação do erro. Salientou que, nas empresas de moldes, “já muito foi feito”, defendendo a necessidade de um sistema que una todos os processos e equipamentos e que se seja escalável.


José Carlos Gomes defendeu, por seu turno, a necessidade de criar um caminho nas fábricas que “tem de centrar-se no produto e pensar como o produzir inteligente”. Uma outra questão que se coloca com a mudança é a segurança. O responsável da GLN considerou-a como “um desafio”, destacando a necessidade de trabalhar em colaboração estreita com os parceiros tecnológicos para acautelar essa questão. É que, sublinhou, “o valor das empresas está cada vez mais naquilo que circula entre os computadores”.


A informação
Para Jorge Cardoso, a dependência do IT “é cada vez maior”, defendendo que “é preciso estarmos atentos e atualizados sobre todas as soluções para tornar o nosso negócio o mais seguro possível”. José Carlos Gomes acrescentou como “essencial” nesta questão a formação dos utilizadores, enquanto Tiago Sacchetti alertou as empresas para o risco de a segurança ser extensível às máquinas. A conectividade faz com que “também as máquinas sejam vulneráveis a ataques” que, num caso extremo, poderão paralisar uma empresa ou mesmo colocar em risco os operadores dos equipamentos.


Pedro Pereira realçou que algumas empresas do sector viram já a sua atividade paralisada devido a ataques, ao que o responsável da Bosch acrescentou que o risco da conectividade é grande, uma vez que “quando o sistema falhar, paramos tudo”. No entanto, salientou que “aquilo que vamos ganhar compensa largamente o risco”, mas que é preciso “minimizá-lo através da segurança”.


Jorge Cardoso defendeu, ainda, a necessidade que diz sentir de os criadores dos sistemas terem um conhecimento mais profundo da indústria de moldes, de forma a que o sector deixe de trabalhar com soluções para as quais tem de estar constantemente a procurar adaptações.


José Carlos Gomes concluiu sublinhando que a informação, por si só, não tem utilidade. É preciso que as empresas consigam “fazer algo com ela”. E quando isso acontece, a informação transforma-se “no mais importante”.


O ciclo de webinares inserido no Fórum Tech-i9 decorreu entre os dias 24 e 26 de novembro. Para além do tema da Indústria 4.0 na indústria de moldes, foram ainda debatidos os ‘Sistemas de Controlo e Gestão de Dados’ e a ‘Integração de equipamentos em células de produção flexível”. As três sessões contaram com grande afluência de profissionais do sector que, acompanhando online os debates, tornaram dinâmicas as ações, ao colocar questões e partilhar opiniões com os oradores.

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