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EMPRESAS TÊM DE AFINAR ESTRATÉGIA PARA ALCANÇAR MERCADOS EMERGENTES E CLIENTES MAIS EXIGENTES

A internacionalização da indústria de moldes esteve no centro de mais uma edição do Fórum Market Days que, promovido pela CEFAMOL, decorreu dia 18 de junho, no Centro Empresarial da Marinha Grande, reuniu profissionais do sector para analisar oportunidades e desafios nos mercados externos. A sessão percorreu três momentos-chave: o esclarecimento sobre novos e menos explorados mercados, com destaque para o Magrebe, a análise dos mercados mais tradicionais da Europa e a reflexão sobre estratégias e ferramentas comerciais para conquistar e fidelizar clientes num contexto cada vez mais competitivo.


O encontro, que decorreu no dia 18 de junho, contou com a presença de cerca de cinco dezenas de participantes, e procurou trazer uma visão prática sobre geografias onde podem surgir novas oportunidades para as empresas de moldes nacionais, mas também sobre mercados mais tradicionais onde a diferenciação, a proximidade e a capacidade de adaptação assumem um peso crescente.


No painel dedicado aos mercados do Magrebe, Rui Cordovil, da AICEP Marrocos, destacou o crescimento sustentado daquele país e a sua transformação num dos principais polos industriais de África. A proximidade geográfica a Portugal, a estabilidade económica das últimas décadas e a aposta em sectores como o automóvel, aeronáutica, defesa e eletrónica colocam Marrocos como um mercado estratégico para empresas que procuram novas oportunidades, considerou.


“Marrocos é hoje o país mais industrializado de África”, sublinhou, apontando o crescimento da indústria automóvel como um dos principais motores da economia. O país produziu cerca de 700 mil veículos em 2025 e pretende atingir a marca de um milhão em 2027, contando já com centenas de empresas ligadas ao sector. A aposta passa por consolidar-se como um hub de exportação automóvel para a Europa, com novas oportunidades também associadas à eletrificação e às cadeias de fornecimento.


Já na análise à Argélia, Bruno Lopes, da AICEP Argélia, apresentou um mercado com dimensão significativa, mas que exige preparação. Com uma economia ainda muito dependente do petróleo e gás, o país procura reduzir a dependência das importações através da industrialização, criando oportunidades para empresas com capacidade tecnológica e conhecimento especializado.


“O mercado tem potencial, mas exige empresas preparadas”, advertiu, destacando como fatores críticos a escolha de parceiros locais, a presença no terreno e a construção de relações de confiança. Entre as oportunidades identificadas estiveram os sectores automóvel, embalagens, energias renováveis, infraestruturas e indústria transformadora.


ESTRATÉGIA

A componente comercial assumiu também um papel central na sessão, com a discussão sobre novas formas de identificar clientes e criar relações de maior valor. Ilann Joaquim, da Witty.AI, apresentou uma abordagem baseada em inteligência artificial aplicada à prospeção comercial, mostrando como estas ferramentas podem apoiar as equipas na identificação de oportunidades.


“A IA não muda os comerciais, adapta os processos”, explicou, defendendo que a tecnologia permite libertar tempo das equipas para tarefas de maior valor. A solução apresentada procura aprender com as características de cada empresa e melhorar a capacidade de encontrar leads mais adequados às suas necessidades.


Na vertente da relação com clientes, Paulo Gomes, da TNT, deixou um alerta sobre a necessidade de mudança na forma como as empresas comunicam e se posicionam. “O mundo mudou, os clientes mudaram, o comportamento das empresas não mudou”, enfatizou, defendendo que muitas organizações continuam demasiado focadas em ferramentas e ações pontuais, sem uma verdadeira estratégia comercial. Para o orador, a diferenciação passa por criar valor percebido, trabalhar melhor as equipas e construir uma comunicação mais próxima e estratégica. “Quando não apostamos em valor acrescentado, comunicamos preço”, destacou, defendendo que a indústria de moldes deve ultrapassar uma comunicação excessivamente técnica e formal e mostrar melhor o conhecimento e a capacidade das suas pessoas. 

PARCERIAS

O último painel centrou-se nos mercados tradicionais europeus e nos desafios de crescimento em geografias como Alemanha e Reino Unido. Paulo Azevedo, da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã, traçou o cenário de uma Alemanha fortemente industrializada, mas pressionada pelos efeitos da conjuntura internacional, pela transição energética e pela transformação do setor automóvel.


Apesar dos desafios, destacou novas áreas de oportunidade, nomeadamente automação, robótica, dispositivos médicos, defesa, aeronáutica e eletrónica. “A preparação é fundamental para abordar o mercado. Tem de ser uma abordagem estratégica”, afirmou, lembrando que os clientes alemães procuram parceiros de longo prazo, com qualidade, fiabilidade e capacidade de resposta.


No caso do Reino Unido, Pedro da Costa Mendes da British Portuguese Chamber of Commerce, destacou a necessidade de reconstruir relações comerciais depois do Brexit, mas também as oportunidades associadas ao reposicionamento das cadeias de fornecimento. A procura por parceiros europeus, o movimento de nearshoring e a necessidade de novas soluções tecnológicas podem abrir espaço para as empresas portuguesas.


“A perceção pela oferta de produtos portugueses é positiva”, referiu, apontando a importância das parcerias e da capacidade de as empresas nacionais aprofundarem relações num mercado que continua a procurar conhecimento, inovação e novas respostas industriais.




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