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NOVAS SOLUÇÕES DE CAPITALIZAÇÃO PODEM ABRIR CAMINHOS PARA O CRESCIMENTO DAS EMPRESAS

As empresas têm alternativas à banca tradicional para reforçar a sua capacidade de investimento, estruturar o crescimento e responder aos desafios de um mercado cada vez mais exigente. Esta foi uma das conclusões do workshop ‘Financiamento & Capitalização’, promovido pela CEFAMOL, no âmbito do projeto GEST.IM, que, no dia 16 de junho, reuniu, no Centro de Negócios de Oliveira de Azeméis, cerca de três dezenas de profissionais da indústria para conhecer novas soluções financeiras e instrumentos de apoio à competitividade empresarial. A sessão centrou-se em dois temas: “Mercado de Capitais para PME: Oportunidades e Desafios” e “Modelos de Financiamento Colaborativo”.


Num contexto em que a capacidade de inovar, diferenciar e investir assume um papel determinante para a afirmação das empresas, a CEFAMOL desenhou um ciclo de workshops com o objetivo de aproximar o sector de novas ferramentas de financiamento e capitalização, ajudando empresários, gestores e responsáveis financeiros a conhecer soluções alternativas e mais ajustadas às necessidades atuais dos negócios.


“Mercado de Capitais para PME: Oportunidades e Desafios” e “Modelos de Financiamento Colaborativo” foram os dois temas em destaque nos workshops, que decorreram no dia 16 de junho, no Centro de Negócios de Oliveira de Azeméis e que contaram com a presença de cerca de três dezenas de profissionais do sector.


Na primeira sessão, Rina Guerra, da Euronext, apresentou o programa ELITE, uma iniciativa criada para apoiar empresas, sobretudo PME, na preparação e estruturação do seu crescimento. Explicou que a Euronext é uma das principais infraestruturas europeias para empresas cotadas e uma plataforma de financiamento e negociação de ações, destacando que o ecossistema ELITE já apoia mais de duas mil empresas, de 36 setores de atividade, provenientes de 24 países europeus, contando com mais de 200 parceiros.


Em Portugal, o programa integra 48 empresas de 19 sectores e disponibiliza um conjunto de soluções orientadas para empresas ambiciosas que procuram preparar o futuro, quer através de conhecimento, quer através de capital relacional e financeiro. Segundo Rina Guerra, “o objetivo das empresas é crescer, mas esse crescimento traz desafios. É precisamente aí que o ELITE ajuda”.


A responsável explicou que o programa permite às empresas aceder a formação especializada para equipas de gestão, com foco em áreas como estratégia, finanças, governance e sustentabilidade. Permite ainda integrar uma rede internacional de empresas, promovendo partilha de experiências, oportunidades de negócio, estratégias de internacionalização e processos de crescimento através de fusões e aquisições.


No âmbito das soluções financeiras, destacou igualmente instrumentos alternativos de acesso a capital, como os basket bonds, que permitem agregar emissões de dívida de várias PME numa carteira única destinada a investidores, bem como serviços de assessoria financeira e apoio no acesso aos mercados públicos.


NOTORIEDADE E POSICIONAMENTO

A experiência empresarial foi trazida por Pedro Gonçalves, CEO da Vipex, uma das empresas nacionais integradas no ecossistema ELITE. O responsável partilhou o percurso da empresa e o impacto que a participação no programa teve, sublinhando que a adesão não surgiu por uma necessidade imediata de financiamento, mas como uma estratégia para reforçar a notoriedade e posicionamento da organização.


“Permitiu-nos aumentar a notoriedade e ganhar confiança no mercado. Hoje, para procurar clientes, para que eles venham ter connosco, temos de nos mostrar. E se essa confiança vier através de instituições credíveis como a Euronext, isso traz valor. Chegamos mais longe e somos rapidamente mais reconhecidos”, defendeu.


Para Pedro Gonçalves, uma das principais mais-valias do programa está no conhecimento e na valorização das pessoas dentro das organizações. “As empresas são conhecimento, são pessoas, e, cada vez mais, temos de apostar na formação dessas pessoas. Muitas vezes, é preciso tirá-las da sua zona de conforto e levá-las à procura de soluções”, destacou.


No segundo workshop, Ricardo Carvalho, da plataforma financeira Daskapital, abordou os modelos de financiamento colaborativo e o potencial destas soluções como alternativa aos mecanismos tradicionais. Na sua perspetiva, o financiamento baseado exclusivamente na banca apresenta limitações para muitas empresas, sendo frequentemente “lento, opaco e com custos muito elevados”, deixando organizações com necessidades específicas sem acesso adequado aos recursos de que necessitam.


O financiamento colaborativo, através de modelos de ‘crowdfunding’, surge, no seu entender, como uma possibilidade para agilizar o acesso a capital. Ricardo Carvalho apresentou duas soluções atualmente desenvolvidas pela plataforma (crowdlending e crowdfactoring), explicando que funcionam através de um modelo de leilão, permitindo que investidores participem a partir de valores reduzidos e com um forte foco no tecido industrial.


Durante a apresentação, destacou uma solução em desenvolvimento particularmente direcionada para sectores como o dos moldes: um modelo de “encomenda autofinanciada”. Este mecanismo, explicou, permite financiar a produção através dos investidores da plataforma, garantindo ao fabricante capacidade de tesouraria durante o período entre o início da encomenda e o momento do pagamento pelo cliente final.


Segundo Ricardo Carvalho, esta solução responde a uma realidade comum em sectores industriais com ciclos produtivos longos, onde as empresas têm de suportar antecipadamente custos de matérias-primas e produção antes de receberem dos clientes. “São empresas com necessidades irregulares que muitas vezes não são compreendidas nem apoiadas pela banca tradicional”, salientou.


Esta sessão integrou-se no plano de iniciativas da CEFAMOL dedicado ao tema do financiamento e capitalização empresarial, estando previstas novas ações sobre esta temática ao longo do ano.

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