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PRO_MOV APOSTA NA RECONVERSÃO DE ATIVOS PARA RESPONDER À ESCASSEZ DE MÃO-DE-OBRA

A CEFAMOL promoveu, no dia 29 de abril, um webinar de apresentação do programa PRO_MOV by Reskilling 4 Employment, uma iniciativa que junta parceiros públicos e privados para reforçar a competitividade, através da requalificação profissional e da integração de trabalhadores. Com mais de duas dezenas de profissionais da indústria de moldes a acompanhar a sessão online, o encontro serviu para dar a conhecer às empresas a possibilidade de integrarem o programa e acolherem formandos em contexto real de trabalho, respondendo à crescente escassez de talento em competências críticas para a indústria.

O programa PRO_MOV afirma-se como uma resposta estruturada a um dos maiores desafios da indústria nacional: a falta de mão-de-obra qualificada. Assim o definiram os oradores na sessão online de divulgação do programa que, organizada pela CEFAMOL, teve lugar no dia 29 de abril. Reunindo, entre muitos outros, entidades como o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), a Confederação Empresarial de Portugal (CIP), a Sonae, a Nestlé e centros de formação como o CENFIM, a iniciativa aposta na reconversão de ativos e na requalificação de profissionais para áreas onde o défice de talento é mais evidente.


Na abertura da sessão, Manuel Oliveira, secretário-geral da CEFAMOL, sublinhou a necessidade da indústria de moldes captar novos talentos e competências, considerando que o PRO_MOV pode representar “uma forma de contribuir e apoiar a resolução desta questão e ajudar a dinamizar o sector”.


Destacou ainda a relevância de se tratar de uma iniciativa que une entidades públicas e privadas, criando uma resposta mais robusta e próxima das necessidades reais das empresas. No caso específico da indústria de moldes, salientou a oportunidade de envolver os polos do CENFIM da Marinha Grande e de Oliveira de Azeméis, que assumem um papel essencial na execução do programa no terreno.


Em representação da CIP (um dos parceiros do programa), João Girão, assessor da direção, apresentou uma visão global da iniciativa e classificou o PRO_MOV como “um projeto excelente e um bom exemplo do que deve ser uma parceria público-privada”. Explicou que a CIP integrou formalmente o programa no final de 2024, após reconhecer a sua forte orientação para o mercado de trabalho e a sua capacidade de resposta concreta às necessidades das empresas. Entre os aspetos mais relevantes, destacou a empregabilidade através da reconversão de ativos, defendendo a importância de existirem profissionais disponíveis para aprender novas funções, muitas vezes “disruptivas em relação à sua área de formação”, e responder às necessidades reais das empresas.


EMPREGABILIDADE

Sublinhou também a dimensão de responsabilidade social da iniciativa, especialmente na requalificação de trabalhadores seniores que procuram novas oportunidades de carreira, bem como a sua eficácia pedagógica. Segundo explicou, trata-se de uma formação intensiva e diferenciadora, que alterna entre sala de aula e prática em empresa, permitindo uma integração mais rápida e eficaz.


Outro fator distintivo está, no seu entender, na personalização dos conteúdos, com módulos construídos em conjunto com as próprias empresas, assegurando “o preenchimento das duas necessidades efetivas”: a necessidade das organizações e a empregabilidade dos formandos.


Para João Girão, o PRO_MOV pode ser simultaneamente “um mecanismo de atração de talentos, reconversão, resposta à escassez de mão-de-obra das empresas e uma solução para os desempregados”.


Na apresentação do programa, Teresa Marques, do grupo Sonae, enquadrou o PRO_MOV no atual cenário europeu do emprego, marcado por profundas transformações. Segundo referiu e citando um estudo, existem atualmente na Europa cerca de quatro milhões de postos de trabalho por preencher, enquanto coexistem 11 milhões de desempregados. Na próxima década, acrescentou, cerca de 20 milhões de pessoas perderão o emprego e mais de 100 milhões precisarão de requalificação para permanecer no mercado de trabalho. “O trabalho é um tema que está e vai continuar em ebulição, nas próximas décadas”, afirmou.


Em Portugal, indicou, cerca de 84% dos empregadores têm dificuldades em encontrar talento qualificado, enquanto 35% estão disponíveis para contratar talento sénior. Por tudo isto, Teresa Marques considerou que o PRO_MOV é um programa essencial no que diz respeito à requalificação para o emprego, desenvolvido em Portugal desde 2022, e cujo interesse por parte de empresas e formandos tem vindo a crescer de forma consistente.


Os cursos abrangem várias áreas, incluindo a indústria de moldes, e têm a duração média de seis a nove meses, normalmente com seis meses de formação em sala e três meses em contexto real de trabalho. O objetivo central é a empregabilidade, embora não exista obrigatoriedade de contratação por parte das empresas.


Destacou que o programa se distingue pela força das parcerias público-privadas, pelo seu âmbito europeu, pela responsabilidade social associada e por ser composto por “cursos desenhados por empresas para empresas”. Desde o seu arranque, já permitiu criar mais de 160 turmas, abrangendo 30 ocupações e 19 geografias, com mais de 2.950 participantes e uma taxa de empregabilidade de 68%, envolvendo mais de 200 empresas de sectores como indústria, automóvel, agricultura, construção, turismo, saúde e digital.


RESPOSTA DIRETA

Teresa Bernardino, do CENFIM de Oliveira de Azeméis, defendeu que o programa responde diretamente às necessidades de mão-de-obra qualificada sentidas pelas empresas, algo que aquele centro procura assegurar desde a sua fundação, há quatro décadas.


Segundo afirmou, o PRO_MOV consegue reforçar essa missão graças à sua lógica de trabalho em rede, envolvendo empresas, associações e centros de formação numa resposta articulada. No caso da indústria de moldes, valorizou o papel da CEFAMOL como entidade agregadora, capaz de ouvir as empresas e transformar essas necessidades em soluções formativas concretas.


Lembrou que o sector tem tido dificuldade em atrair jovens, apontando como exemplo a baixa procura de alguns cursos do CENFIM, apesar das fortes necessidades das empresas. Em contrapartida, cresce o número de adultos à procura de requalificação, salientou. Neste contexto, considerou que o programa surge como “uma lufada de ar fresco”, permitindo ao CENFIM reforçar a sua capacidade de resposta.


A vertente social foi igualmente sublinhada, nomeadamente no combate ao desemprego, incluindo jovens que terminam o 12.º ano e permanecem sem rumo profissional. Referiu que existem atualmente cerca de 150 mil jovens nessa situação. Na última formação realizada no âmbito do programa, contou, apenas um formando não ingressou no mercado de trabalho, indicador que considera particularmente relevante.


Também Carlos Silva, do CENFIM da Marinha Grande, apresentou uma experiência semelhante, reforçando a importância da mobilização coletiva para enfrentar a escassez de mão-de-obra qualificada. “A resposta só se resolve se remarmos todos para o mesmo lado”, afirmou, considerando que essa é precisamente uma das maiores virtudes do PRO_MOV.


Enalteceu o modelo formativo, defendendo que a curta duração dos cursos é suficiente para transmitir conhecimentos técnicos e, ao mesmo tempo, desenvolver a atitude profissional necessária para entrar no mercado de trabalho. Na sua perspetiva, existe um bom equilíbrio entre teoria e prática.


O mais recente curso na Marinha Grande arrancou em abril com 18 formandos, entre os 20 e os 60 anos, refletindo também uma forte multiculturalidade, hoje transversal a várias geografias do país. Até ao momento, o CENFIM da Marinha Grande já formou cerca de 50 pessoas integradas em aproximadamente 25 empresas. Apenas uma ou duas não entraram no mercado de trabalho.


Para Carlos Silva, o programa tem o mérito de preparar os participantes não apenas ao nível técnico, mas também nas competências sociais necessárias para ingressar no mundo laboral, independentemente da idade.


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