Um mês depois da tempestade ‘Kristin’, a indústria de moldes (que, em conjunto com os plásticos, representaram 54% das respostas a um inquérito realizado às empresas da região de Leiria, entre 20 e 24 de fevereiro) revela sinais de retoma, mas continua a enfrentar constrangimentos significativos, sobretudo ao nível das comunicações. De acordo com os dados, as empresas de moldes evidenciam um ritmo de recuperação mais célere em relação à média global.
O estudo, promovido pelo CENTIMFE, em conjunto com o CEFAMOL, a POOL-NET, a ACIMG e a NERLEI, foi apresentado a 25 de fevereiro, no auditório do CENTIMFE, numa sessão dedicada à divulgação das medidas de apoio às empresas afetadas.
Na indústria de moldes, 40% das empresas encontravam-se a laborar sem restrições operacionais; 25% operavam entre 75% e 90% da capacidade instalada. Já entre 50% e 75% de laboração estavam 10% das empresas de moldes.
No conjunto de todos os sectores inquiridos, 30% das empresas afirmavam estar a laborar sem restrições, 23% entre 75% e 90%, 18% entre 50% e 75% e 13% entre 30% e 50%, o que evidencia que o fabrico de moldes apresenta um ritmo de recuperação superior à média global.
O principal desafio identificado um mês após a tempestade continua a ser a dificuldade nas comunicações. No total, 61% das empresas apontavam a falta de internet como o maior constrangimento, sendo que 11% referiam estar simultaneamente sem internet e sem eletricidade. 15% ainda não tinham acesso às instalações, por destruição ou bloqueios.
Na indústria de moldes, 67% das empresas reportavam falhas de internet. A dependência estrutural deste sector, fortemente exportador e integrado em cadeias internacionais de fornecimento, torna particularmente crítico o restabelecimento rápido das comunicações.
Ao nível das infraestruturas, 68% das empresas de moldes indicaram ter menos de 25% das instalações afetadas, embora 16% referissem danos em metade do espaço produtivo. Globalmente, 63% das empresas tinham danos inferiores a 25% das instalações, 18% assumiam ter metade do edifício destruído e 17% indicavam que um quarto do espaço produtivo estava comprometido.
No que respeita aos meios produtivos, 76% das empresas de moldes reportavam interrupção parcial da atividade, enquanto 6% referiam danos superiores a 75% dos equipamentos. No total das respostas, 71% das empresas apontavam interrupção parcial, 11% indicavam ter 25% dos meios destruídos e 5% declaravam perda total dos meios produtivos.
Questionadas sobre o tempo necessário para retomar a atividade normal, 49% das empresas admitiam não conseguir fazer qualquer estimativa. Entre as restantes, 35% apontavam para uma semana, 10% para um mês, 4% para 15 dias e 2% para dois meses.
Os principais prejuízos identificados foram a dificuldade no cumprimento de prazos com clientes (29%), dificuldades na retoma da operação normal (21%), quebra significativa na faturação (17%) e situações já estabilizadas, mas com impacto financeiro relevante (11%). Num cluster onde o cumprimento rigoroso de prazos é determinante para a manutenção de contratos internacionais, estes constrangimentos assumem especial importância.
Um mês depois, a principal prioridade das empresas é a recuperação de instalações e equipamentos (33%). Seguem-se a necessidade de encontrar fornecedores para essa recuperação (16%) e o reforço da liquidez e apoio financeiro (16%). Cerca de 14% apontam ainda para a necessidade de apoio técnico especializado na avaliação e reparação de danos.
Entre as medidas consideradas mais urgentes destacam-se o restabelecimento imediato de luz, internet e comunicações; apoio à manutenção dos postos de trabalho; simplificação administrativa nos instrumentos de apoio (com validação posterior); apoios à tesouraria a fundo perdido; isenção ou adiamento de impostos e contribuições; e linhas de crédito de curto prazo simplificadas, sem juros e encargos.
A médio prazo, as empresas defendem o restabelecimento das infraestruturas de mobilidade da região, abatimento no IMI sobre investimentos de reinvestimento e reparação durante dois anos, isenção da derrama regional pelo mesmo período e a criação de um programa específico de revitalização do cluster de moldes e plásticos. Reclamam ainda a libertação imediata de verbas de incentivos já aprovados, extensão de prazos de projetos de I&D com flexibilização de KPIs, aumento das taxas de financiamento para 75% (com 50% de adiantamento na assinatura dos contratos durante um ano) e reforço dos programas de apoio à internacionalização.
No conjunto de empresas ouvidas, no fabrico de moldes predominam pequenas empresas (40%) e médias entre 51 e 100 trabalhadores (30%). Considerando o universo global inquirido, a maioria corresponde a pequenas empresas (39%) e microempresas (26%), seguindo-se médias até 100 trabalhadores (14%), médias entre 101 e 250 trabalhadores (13%) e grandes empresas (8%).
A sessão de esclarecimento contou com cerca de centena e meia de participantes e teve intervenções de representantes do IAPMEI, da Autoridade Tributária, da Segurança Social e do IEFP. Paulo Fernandes, da Estrutura de Missão criada para acompanhar a situação, sublinhou que a união demonstrada pelas empresas e associações “foi inspiradora”, mas acrescentou que tal também aumenta a responsabilidade das entidades públicas em agilizar procedimentos e assegurar respostas eficazes.