A Semana de Moldes 2023 afirmou-se como um palco de reflexão de excelência sobre o presente e o futuro, com foco naqueles que são alguns dos principais desafios da indústria: a sustentabilidade, as tecnologias emergentes e as Pessoas. O evento decorreu entre 20 e 24 de novembro, com atividades repartidas entre a Marinha Grande e Oliveira de Azeméis, contando com mais de 900 participantes nacionais e estrangeiros.
«A Semana de Moldes debruçou-se sobre o desenvolvimento sustentável do nosso sector, sendo os participantes nas diferentes ações encorajados a analisar as condicionantes atuais e perspetivas futuras do negócio, explorando novos conceitos, ideias e metodologias e ouvindo a opinião de especialistas e líderes de opinião de reconhecido prestígio nacional e Internacional». Assim sintetizou João Faustino, presidente da CEFAMOL, em jeito de balanço, o conjunto de iniciativas que reuniu os principais players desta indústria, naquele que é um espaço de eleição para a reflexão sobre a indústria, desde a sua primeira edição, em 1998.
O sector, considerou ainda, «enfrenta hoje uma grande transformação, com um contexto internacional desafiante, o qual as empresas terão enormes dificuldades em ultrapassar isoladamente». Falando no final da Conferência Internacional «Moldes Portugal 2023» – ação que encerrou o evento – João Faustino defendeu ainda que «será fundamental fomentar um ambiente mais propício à inovação, à eficiência e à competitividade, que assegure a sustentabilidade das empresas, bem como o crescimento do emprego qualificado e da economia». Em paralelo, sublinhou, «necessitamos de retomar a política europeia de suporte ao desenvolvimento industrial, que imponha e faça cumprir as mesmas regras a todos quantos operam neste espaço económico, constituindo e valorizando as efetivas estratégias de re-industrialização».
No seu entender, «Portugal e a sua indústria de moldes são e continuarão a ser uma referência mundial». Nesse sentido, contou, as entidades representativas do sector – CEFAMOL, Pool-net e CENTIMFE – prosseguirão a sua estratégia, assente num conjunto de ações, que «permita reforçar a notoriedade da indústria, alinhando empresas e instituições em torno de objetivos comuns que reforcem o posicionamento e diferenciação, em termos globais».
Esta edição que, a exemplo das anteriores, foi organizada conjuntamente pela CEFAMOL, pelo CENTIMFE e pela Pool-net em representação do cluster Engineering and Tooling, contou com a presença de mais de 900 pessoas nas várias atividades.
O Rapid Product Development (RPD) contou com 116 e 101 participantes, respetivamente, no primeiro e segundo dias; no Brokerage Event marcaram presença 51 pessoas. Já a conferência Talentum Days, em Oliveira de Azeméis, atraiu cerca de 130 participantes, enquanto a conferência INOV AM contou com 191. Um dos pontos altos do programa, a Conferência Internacional «Moldes Portugal 2023» atraiu mais de 230 pessoas, enquanto os eventos sociais (os dois jantares-conferência, em Leiria e Oliveira de Azeméis) contaram com cerca de 144 participações.
Nesta edição, estiveram, no total, representados 11 países: Portugal, África do Sul, Alemanha, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Itália, Irlanda, Irlanda do Norte e Polónia. A Semana de Moldes teve, ainda, 130 oradores e membros de painéis de debate. Destes, 49 vieram de empresas, 17 de centros de I&D e universidades, e 18 de associações, clusters e entidades públicas (nacionais e estrangeiras).
O evento teve ainda a presença de jornalistas internacionais, oriundos de Alemanha, Espanha e França que, além de assistirem a parte dos trabalhos, tiveram oportunidade de visitar várias empresas do sector.
«A visibilidade alcançada na Semana de Moldes 2023 demonstra a capacidade de mobilização e alinhamento dos stakeholders da nossa indústria e do nosso cluster», afirmou Manuel Oliveira, secretário-geral da CEFAMOL, salientando que o sector se uniu para «atualizar conhecimentos, reforçar a sua presença em novas redes de cooperação e desenvolvimento, acompanhar novas tendências e reforçar a definição de estratégias que permitam relançar a indústria numa nova senda de sucesso perante o período desafiante que vivemos».
Falando na sessão de encerramento do evento, adiantou ainda que «demonstrámos que os trabalhos desenvolvidos ao longo destes dias são fundamentais para a coesão, integração e diferenciação do nosso cluster e que são alicerces para uma estratégia de desenvolvimento agregador e sustentável», enfatizando que Portugal se assume como «uma referência incontornável quando falamos de moldes».
Manuel Oliveira realizou, também, um breve balanço das atividades realizadas no decorrer da semana. Uma das ações que mais se tem afirmado ao logo das sucessivas edições do evento é a conferência «Moldes Portugal». Nesta edição, no dia 24 de novembro, a reflexão que gerou, atraindo mais de duas centenas de participantes, permitiu acompanhar e debater «as tendências e evolução do sector e de algumas das suas principais indústrias clientes», como a automóvel e os dispositivos médicos.
O painel de debate Indústria de Moldes: O desafio da competitividade na Europa, que reuniu representantes de vários países (Portugal, Alemanha, Itália, Polónia e África do Sul), possibilitou perceber que «o futuro ainda nos apresenta muitos obstáculos, que os desafios e a situação atual dos nossos congéneres europeus são semelhantes à nossa, e que questões como a cooperação e diversificação de mercados serão fundamentais para o sucesso futuro».
Em relação às restantes ações, a conferência RPD permitiu «analisar por diferentes prismas o tema da sustentabilidade», conceito que, salientou, «não se encerra na vertente ambiental, com as questões económicas a assumirem uma preponderância cada vez maior».
Realizada nos dias 20 e 21 de novembro e falada exclusivamente na língua inglesa, esta ação reuniu profissionais da indústria de moldes (nacionais e internacionais) e de outras áreas de negócio, mas também oradores em representação de universidades e instituições várias. A transição energética e a transformação industrial, Os pilares económicos e sociais para uma indústria competitiva, Desenvolvimento de pessoas para a aceleração digital e Fabrico aditivo e novas competências para a competitividade da indústria foram alguns dos principais temas em debate.
Já o Brokerage Event (também falado exclusivamente na língua inglesa), permitiu «reforçar a importância de integrar empresas e instituições em novas redes de colaboração e potenciar novos projetos de I&D», sintetizou Manuel Oliveira. A ação, que teve lugar na tarde do dia 21, reuniu representantes de clusters europeus da área dos moldes e plásticos, bem como responsáveis de instituições europeias, como a EFFRA ou a Comissão de Research e Inovation. A discussão possibilitou perceber «a importância e posicionamento que o sector conseguiu assumir ao longo dos últimos anos, permitindo o lançamento e exploração de novos programas de I&D, que se revelam como claras oportunidades para as empresas nacionais».
A conferência Talentum Days, realizada na tarde do dia 22, em Oliveira de Azeméis, traduziu-se num «olhar para dentro das nossas organizações», debatendo Os novos desafios e competências das equipas comerciais e Os desafios da produtividade na indústria de moldes. Da reflexão, surgiu uma conclusão: «É preciso otimizar recursos, reduzir desperdícios, fazer bem à primeira. Para tal, será necessário integrar e desenvolver competências diferenciadoras e processos bem definidos para fazer com que as empresas prosperem num mercado altamente competitivo», afirmou Manuel Oliveira.
Uma outra ação, a conferência da agenda mobilizadora INOV AM, que decorreu no dia 22, na Marinha Grande, atraiu cerca de duas centenas de pessoas que, durante todo o dia, refletiram sobre o papel do fabrico aditivo na produção dos moldes, mas também sobre outras tecnologias e desafios, como os moldes híbridos, os sistemas de fabricação híbrida e os novos materiais.
Em síntese, explicou Manuel Oliveira, «foram debatidos os impactos que esta tecnologia representa no processo de fabrico, a inovação e serviços inovadores e diferenciadores, mas também as respostas necessárias para alcançar a integração de ferramentas digitais, potenciando conhecimento e competitividade».
Quanto aos jantares-conferência, contaram com a presença do governador do Banco de Portugal, Mário Centeno (no dia 20, em Leiria) e do ex-presidente da AICEP, Miguel Frasquilho (dia 21, em Oliveira de Azeméis). Ambos os oradores falaram sobre a situação atual da indústria no contexto europeu e global, reforçando a importância das competências, da inovação e do I&D, mas também da cooperação, para o desenvolvimento e crescimento sustentado do sector.
A Semana foi, ainda marcada, por um momento especial: um reconhecimento a Joaquim Menezes (Iberomoldes) pelo papel que, nas últimas décadas, tem tido na projeção dos moldes portugueses internacionalmente, sobretudo no período em que presidiu à European Factories of the Future Research Association (EFFRA). A distinção reconhece «o mérito, visão, dedicação, liderança e energia que emprestou aos projetos privados e associativos em que se envolveu, que nunca serão suficientemente reconhecidos», como fez questão de realçar o presidente da CCDR Norte, António Cunha.
Apesar do momento atual, caracterizado por grandes incertezas e constrangimentos que põem à prova a capacidade de resistência das empresas, «terminámos a Semana de Moldes 2023 confiantes no futuro», concluiu Manuel Oliveira, salientando a necessidade do trabalho conjunto para que o sector consiga definir e delinear estratégias e ações que «permitam aproveitar novas oportunidades, conquistar novos clientes e integrar novas e mais complexas cadeias de valor».