MENU
INDÚSTRIA REFLETE SOBRE PESSOAS E TECNOLOGIAS

Mais de uma centena de profissionais da indústria de moldes participaram, a 30 de setembro, em Oliveira de Azeméis, em dois fóruns de debate que colocaram em cima da mesa dois dos grandes desafios do setor: a valorização das pessoas e do conhecimento e a evolução tecnológica e dos processos. O TalentumDays centrou-se na gestão do talento, liderança e retenção do conhecimento. O Fórum Tech-i9 abordou eficiência, inovação, pequenas séries e as fronteiras tecnológicas que estão a transformar a indústria.


A manhã foi preenchida pelo TalentumDays, promovido no âmbito do projeto Gest.IM. 


O primeiro orador, Artur Ferraz, da IBC, defendeu uma mudança na forma como as empresas gerem as pessoas, colocando-as no centro da transformação e apoiando a liderança através de ferramentas que permitam decisões mais sustentadas. 


“A liderança ágil, a autonomia com critérios claros, a comunicação regular, as equipas multidisciplinares e uma cultura que encare o erro como aprendizagem” foram algumas das ideias centrais. Sublinhou ainda a necessidade de a indústria acompanhar, na gestão das pessoas, o avanço tecnológico que já alcançou, propondo um modelo setorial de avaliação de desempenho e progressão e apresentando o ‘Community24’, desenvolvido em parceria com a CEFAMOL.

Ana Costa, da Harker Solutions, colocou “o bem-estar no centro da produtividade”, lembrando os custos associados à dificuldade de recrutar e reter talento e à “perda de conhecimento crítico quando os profissionais deixam as empresas”. Defendeu uma abordagem integrada ao onboarding, liderança, cultura e desenvolvimento, bem como percursos profissionais claros, considerando que “a retenção se constrói diariamente”.


A inteligência artificial esteve em destaque na intervenção de Nuno Mendonça, da Gerai, que defendeu a sua utilização para “automatizar tarefas repetitivas e libertar as pessoas para trabalho de maior valor acrescentado”, mantendo sempre a decisão e supervisão humanas. Deixou exemplos concretos de aplicação, da elaboração de soluções à preservação do conhecimento sénior, e desafiou as empresas a testar uma primeira aplicação de IA durante 30 dias, medindo os resultados.


A fechar, a mesa-redonda “Capital intelectual: o desafio de reter o conhecimento na era da rotatividade”, com Marisa Silva (MoldWorld) e Ricardo Mascarenhas (Blauer), com moderação de Artur Ferraz, reforçou a necessidade de transformar o conhecimento individual em conhecimento da organização. Documentar processos, aprender com os erros, promover conversas regulares, reconhecer o trabalho, criar espaço para formação e tornar as empresas mais apelativas foram elencados como alguns dos fatores essenciais para preservar conhecimento e envolver as equipas.

Transformar os processos


No Fórum Tech-i9, que decorreudurante a tarde, Adelino Bernardo, da Kopptec, defendeu que a “eficiência começa pela análise dos processos, pela identificação das perdas de valor e pelo seu redesenho”, antes da escolha das tecnologias. “Medir, simplificar, digitalizar e automatizar com propósito”, sempre com o contributo das pessoas, são passos essenciais para uma melhoria contínua.


Já Nuno Hélder, da HTX Partners, centrou a sua intervenção na passagem da competência técnica como retenção de valor, defendendo que “a competência diferenciadora deve permanecer na empresa” e que “cada projeto deve ser avaliado pelo valor e pelo risco que representa”. Crescer, defendeu, deve significar “deixar a empresa mais preparada para decidir e criar valor no futuro”.


Na mesa-redonda sobre “Desafios e soluções para pequenas séries”, Moisés Domingues, da Innov3D, Nuno Gomes, da MICE, e Eurico Assunção, da FAN 3D, moderados por António Pontes, da Universidade do Minho, abordaram o potencial do fabrico aditivo, da moldação por injeção reativa e da diversificação para responder a mercados de menor volume e maior customização. A necessidade de formação, abertura a novas tecnologias, especialização e cooperação entre empresas foram algumas das principais conclusões do debate.


Já a mesa-redonda “Fronteiras tecnológicas: o que vai mudar na indústria de moldes”, com Martinho Oliveira, da ESAN, Marco Tschan, da ProGrow, e Filipe Vaz, da Universidade do Minho, moderada por Nuno Silva, da Moldit, colocou a sensorização, a inteligência artificial, a manufatura aditiva e os dados como aspetos essenciais para um caminho de transformação. Os intervenientes convergiram na importância de preservar e transferir o conhecimento acumulado, aproximar as diferentes gerações da indústria e medir os processos antes de investir em tecnologia, apontando também a necessidade de escala, parcerias e estratégias conjuntas para reforçar a competitividade do setor.

CONFIGURAÇÃO DE COOKIES
NECESSÁRIO
Os cookies necessários ajudam a tornar um site utilizável, permitindo funções básicas como navegação na página e acesso a áreas seguras do site. O site não pode funcionar corretamente sem esses cookies.
ESTATÍSTICAS
Os cookies estatísticos ajudam os proprietários de sites a entender como os visitantes interagem com os sites recolhendo e relatando informações anonimamente.
GUARDAR